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Onde é que errámos?

Filhos rebeldes, adultos bem-sucedidos - Sou Mamãe
Filhos rebeldes

Sou um pai desanimado. A minha mulher e eu esforçamo-nos ao máximo para ser bons pais, mas agora o nosso filho de 16 anos é teimoso, desrespeitador e desafiador. Ele está com problemas sérios com a lei e não fazemos ideia de onde foi que errámos.

Antes de se culpar por tudo o que aconteceu, insisto para que páre e pense no acontecido. Todos nós que trabalhamos com crianças temos observado que o comportamento rebelde de um adolescente; às vezes, não resulta dos erros ou das falhas dos pais, mas de más escolhas feitas por sua própria iniciativa. O seu filho pode ser um desses adolescentes.

Duas coisas ficam claras a esse respeito: Os pais aceitaram rapidamente que o crédito ou a culpa pela maneira como os filhos se comportam. As mães e os pais que criam jovens brilhantes inclinam-se a encher o peito e a dizer: «Vejam o que conseguimos!». Os que têm filhos problemáticos perguntam-se: «Onde foi que eu errei?». É bem provável que nenhuma dessas afirmações seja correcta. Embora os pais tenham uma grande influência na vida dos filhos, eles são apenas um componente na linha de montagem.

Os cientistas comportamentais têm sido demasiadamente simplistas nas suas explicações sobre o comportamento humano. Apesar das suas teorias em contrário, somos mais do que a qualidade da nossa alimentação e da herança genética e bioquímica. E, certamente, somos mais do que o agregado de influência dos pais.

Somos indivíduos únicos, capazes de pensamentos independentes, racionais e atribuídos a qualquer fonte. É isso que torna a educação de filhos tão desafiadora e gratificante. No momento em que pensamos conhecer completamente os nossos filhos, é melhor estarmos preparados… Algo novo vai aparecer no nosso caminho.

Qual é o papel que a hereditariedade desempenha no comportamento de um filho como o meu?

Há mais de um século que os especialistas em desenvolvimento infantil argumentam quanto à influência relativa da hereditariedade e do ambiente, ou o que tem sido chamado de controvérsia da “natureza-nutrição”. Agora, finalmente, essa questão pode ter sido estabelecida. Os pesquisadores na Universidade de Minnesota passaram muitos anos a identificar e a estudar 100 conjuntos de gémeos idênticos que foram separados logo depois de nascidos e que foram criados em culturas, religiões e locais diferentes por uma variedade de razões.

Em vista de cada conjunto de gémeos compartilhar a mesma estrutura genética, foi possível aos pesquisadores examinarem o impacto da herança comparando as suas semelhanças e diferenças em muitas variáveis.

A partir desses e outros estudos tornou-se claro que grande parte da personalidade, talvez 70% ou mais, é herdada. Os nossos genes influenciam qualidades como criatividade, sabedoria, bondade, vigor, longevidade, inteligência e até a alegria de viver 1.

Vamos considerar os irmãos conhecidos como “gémeos Gem”, que ficaram separados até aos 39 anos de idade. As suas semelhanças eram surpreendentes:

  • Casaram com mulheres chamadas Linda;
  • tinham cães chamados Toy;
  • sofriam de enxaqueca;
  • fumavam compulsivamente;
  • gostavam de cerveja;
  • conduziam Chevrolets
  • eram sub-delegados
  • tinham um estranho sentido de humor

Por exemplo: ambos gostavam de fingir espirrar no elevador para ver como as pessoas reagiam 2.

Este grau de semelhança na personalidade de gémeos idênticos, criados separadamente, mostra a notável influências das características herdadas.

A estrutura genética da pessoa é tida como influenciando até a estabilidade do seu casamento. Se um gémeo idêntico se divorcia, o risco do outro se divorciar também é de 45%. Todavia, se um gémeo fraterno se divorcia, por compartilhar menos da metade dos genes, o risco para o outro é somente 30% 3.

O que é que essas descobertas significam?

Somos simples fantoches numa corda, desempenhando um curso pré-determinado sem vontade própria ou escolhas pessoais?

— Não. De modo diferente das aves e dos mamíferos, que agem segundo o instinto, os humanos são capazes de pensamento racional e acção independente. Não agimos de acordo com todos os impulsos sexuais, ou outros. O que fica claro é que a hereditariedade providencia um empurrão numa determinada direcção, impulso ou inclinação definidos — mas que pode ser controlado pelos nossos processos racionais.

Essas descobertas são evidentemente de enorme significado para a nossa compreensão das crianças. Antes de aceitar todo o crédito ou culpa pelo comportamento dos seus filhos, lembre-se de que desempenhou uma parte importante nos anos formativos — mas de modo algum a única parte.

Quanto ao seu filho rebelde de 16 anos, sugiro que lhe dê algum tempo. Ele vai, provavelmente, acalmar-se ao entrar na casa dos 20. O desejo é que ele não faça nada com implicações a longo prazo antes de terminar a adolescência.


Fonte:  Livro “Criando Meninos”, págs. 236-238
Autor: Dr. James Dobson, fundador da organização Foco na Família, psicólogo e autor de diversos livros, possui doutoramento em Desenvolvimento Infantil pela Universidade de Southern Califórnia.

  1. BOUCHARD, Thomas J. eta I., “Sources of Human Psychological Differences: The Minnesota Study of Twins Reared Apart”, Science, 12 de Out. de 1990, p. 223.
  2. “Twins Separated at Birth: The Story of Jim Lewis e Jim Springer”, Smithsonian Magazine, Out. de 1980.
  3. RITTER, Malcolm, “Study Suggests Genes Influence Risk of Divorce”, Associated Press, 27 de Nov. de 1992.