
Enquanto os profissionais afirmativos de género, em Portugal, insistem em seguir o protocolo holandês do século passado — já refutado por vários países —, há dois anos que o jornal The Guardian (que ninguém no seu perfeito juízo acusa de ser um órgão de direita) divulgou a realidade que os ‘profissionais de saúde cá do burgo’ insistem em ignorar olimpicamente.
O Relatório Cass foi encomendado pelo NHS England (o sistema de saúde público inglês). Embora tenha sido alvo de forte contestação inicial por parte de activistas trans, algumas organizações médicas e críticos ideológicos (que tentaram descredibilizá-lo), o NHS England aceitou plenamente as suas conclusões. Considerou-o um trabalho rigoroso e está a implementar as suas recomendações, incluindo a restrição de bloqueadores da puberdade e uma maior cautela com hormonas em menores. As directrizes (guidelines) do relatório são hoje a orientação oficial no Reino Unido.
Aqui estão 10 pontos a reter do artigo do The Guardian (Abril de 2024) sobre a revisão de Hilary Cass:
- Crianças usadas como “futebol” político-ideológico
Hilary Cass afirma explicitamente que “as crianças estão a ser usadas como uma bola de futebol” por adultos num debate tóxico, politizado e ideológico. Isto revela como a narrativa trans institucionalizada transformou menores vulneráveis em peões de uma agenda adulta, em vez de os proteger
2. Falência sistémica do modelo “afirmativo”
O artigo mostra que o sistema NHS falhou a uma geração inteira de crianças. Não foi um erro de um ou dois médicos, mas sim uma falha sistémica alimentada pelo medo de se ser acusado de “transfobia” ou de “terapia de conversão” ao adoptar-se uma abordagem cautelosa.
3. Evidência “notavelmente fraca” para intervenções médicas
Cass destaca que a base científica para bloqueadores da puberdade e hormonas de sexo cruzado em menores é extremamente fraca. Não há boa evidência de benefícios a longo prazo, mas existem riscos claros — o que desmonta o mito de que o modelo “afirmativo” constitui “cuidados baseados em evidência”.
4. Explosão de referenciações (principalmente raparigas)
O artigo menciona o aumento exponencial: de cerca de 250 referenciações em 2011-12 para mais de 5.000 em 2021-22. Este fenómeno recente (a partir de 2014) coincide com o aparecimento das redes sociais e não com qualquer mudança biológica, sugerindo uma forte influência social e cultural.
5. Bloqueadores da puberdade e hormonas recomendados com “extrema cautela”
O NHS England já suspendeu os bloqueadores da puberdade e Cass recomenda extrema cautela com hormonas em menores de 18 anos. Isto representa um claro recuo face à abordagem anterior de medicalização rápida.
6. Falta de dados de acompanhamento — e obstrução ideológica
Cass quis estudar os 9.000 jovens tratados na clínica Tavistock, mas os serviços de adultos bloquearam o acesso aos dados. A autora considera que este bloqueio foi “coordenado” e “ideologicamente motivado”. “Esconder resultados constitui uma confissão grave.“
7. Visão de túnel” medicalizante em vez de abordagem holística
O foco obsessivo na transição médica ignorou problemas de saúde mental, autismo, trauma, homossexualidade internalizada e outros factores. Cass preconiza serviços que nem sequer se designem “de género”, tratando o jovem como um todo.
8. Influência perigosa das redes sociais e “grooming” online
Cass aponta a exposição sem precedentes a redes sociais, influenciadores (influencers) e informação desequilibrada que encoraja a separação dos pais e a medicalização prematura. Muitos jovens chegaram a conclusões precipitadas sem espaço para explorar outras vias.
9. O medo silenciou os clínicos sensatos
Profissionais com uma abordagem cautelosa ou exploratória foram intimidados e calados. Isto criou um ambiente onde a dissidência científica era equiparada ao preconceito — um clássico mecanismo de captura ideológica.
10. Reconhecimento implícito de danos e arrependimentos
Cass admite que não sabemos quantas crianças foram prejudicadas (por oposição às beneficiadas) devido à falta de dados. Jovens adultos queixaram-se de que lhes foi apresentada apenas a via médica binária, quando existiam outras formas de lidar com o desconforto de género. O modelo actual traiu a primeira regra da medicina: “primeiro, não fazer mal” (primum non nocere).
Mesmo num jornal como o The Guardian, que normalmente alinha com a narrativa trans, o artigo não consegue esconder a gravidade das conclusões de Cass: a experiência de medicalização de menores baseou-se em evidência fraca, pressão ideológica e captura institucional. Este relatório marca o início do fim da abordagem “afirmativa” no Reino Unido — e serve de alerta para outros países, como Portugal, que teimam em seguir o mesmo caminho.