A História moderna do controle educacional – Os secularistas (2)

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Sagan adorava o Cosmos eterno que ele pressupunha ser o substituto evolucionista do eterno Deus da Bíblia, que dá vida e significado a tudo. Sagan disse:

Foi o universo que nos fez … Nós somos criaturas do Cosmos … A nossa obrigação de sobreviver e reproduzir deve-se, não apenas a nós mesmos, mas também a este Cosmos, antigo e vasto, do qual surgimos. [1]

Os atributos pessoais de Deus são imputados ao Cosmos impessoal. A “sopa primordial” [2] nutria os nossos antigos ancestrais no momento em que imergiram do primeiro oceano de vida. Essas memórias, de acordo com Sagan, então eternamente impressas na nossa psique evoluída.

O oceano chama. Alguma parte do nosso ser sabe que viemos de lá. Nós almeja,os retornar. Essas aspirações não são, creio, irreverentes, embora possam perturbar quaisquer deuses porventura existentes. [3]

Sagan deixa claro que não há “deuses” no sentido comum no seu universo, apenas “acidentes” [4] que de alguma maneira se desenvolveram em entidades projectadas e significativas. Às vezes, no entanto, Sagan cogita com emoção uma reverência aparentemente benigna ao Cosmos que beira a profunda dedicação religiosa ao ateísmo e aos elementos de paganismo: “Nossos ancestrais adoravam o sol”, reflecte ele, “e eles estavam longe de ser tolos. Faz sentido reverenciar o sol e as estrelas, porque somos filhos seus”. [5]

Mas quem é que criou o Cosmos? De que maneira surgiu o Cosmos? Porque é que existem ordem e complexidade no Cosmos?

Sagan nunca respondeu a essas perguntas. Ele não o poderia fazer, já que o Cosmos é tudo o que foi e há de ser.

Portanto, o cristão, o pagão e o ateu interpretam o mundo mediante o apelo a um conjunto de pressuposições essencialmente materialistas, deste mundo apenas, que não explicam entidades imateriais como a razão, a lógica, o amor, a compaixão, o bem e o mal. Todas as cosmovisões — mesmo as defensoras do ateísmo — partem de pressupostos religiosos.

Isso significa que muitas pessoas podem chamar-se correctamente ateístas significando que não crêem na existência de deuses (‘a-teísta’ significa literalmente ‘não deus’), mas eles ainda terão alguma crença religiosa se considerarem qualquer coisa auto-existente e da qual todo o resto depende. [6]

Essas crenças “das quais todo o resto depende” são pressuposições, e todas a pessoas as têm, desde nómadas e astrónomos até filósofos e professores de escola. Embora muitos professores talvez não acreditem nessa cosmovisão secular tão radical, eles estão cada vez mais obrigados a ensiná-la.


[1] Da apresentação televisiva de 13 horas de duração de Cosmos, transmitida no Outono de 1980. Citado em Richard A. Baer Jr., “They Are Teaching Religion in the Public Schools”, Christianity Today (February 17, 1984), p. 12.
[2] Prebiótico significa “antes da vida”. Refere-se à hipótese apresentada pelo cientista russo A. I. Oparin, que afirmou que a vida se iniciou num mar de substâncias químicas chamado sopa prebiótica [N. do T.: primordial em português]. num mar de substâncias. A ocorrência aleatória de substâncias e compostos químicos deu origem às moléculas. A teoria não explica de onde as substâncias e os compostos químicos vieram e como se organizaram numa forma de vida complexa.
[3] Sagan, Cosmos, p. 5
[4] Sagan, Cosmos, p.30
[5] Citado em Baer, “They Are Teaching Religion in the Public Schools”, p. 13.
[6] Roy A. Clouser, The Myth of Religious Neutrality: An Essay on the Hidden Role of Religious Belief in Theories. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1991, p. 26-7.
Copiado do livro: Quem controla a Escola Governa o Mundo, Gary DeMar, p. 33-34

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