A História moderna do controle educacional – Marxismo (2)

Marxismo e Educação – meia dúzia de palavras sobre isto – Mundo de Oz

A longa marcha através das instituições

A natureza opressora do comunismo mais antigo foi notada por António Gramsci (1891-1937), um marxista comprometido com uma nova abordagem para promover mudanças culturais e sociais. A fim de capturar as nações democráticas, um novo modelo deveria ser desenvolvido. Da mesma forma que os marxistas revolucionários antes dele, Gramsci considerava o cristianismo a “força que amarrava todas as classes — camponeses, trabalhadores e príncipes, padres e papas e todos os outros, sem uma cultura única, homogénea. Era especificamente a cultura cristã, na qual os homens e mulheres entendiam de modo individual que as coisas mais importantes da vida humana transcendiam as condições materiais em que viviam a vida mortal”.[1]

Gramsci e o controle da cultura e do ensino

Gramsci rompeu com a crença de Marx e Lenine de que as massas se levantariam e derrubariam a “super-estrutura” dominante. Ele teorizava que, independentemente de quão oprimidas as classes trabalhadoras pudessem ser, a sua fé cristã não lhes permitiria tal vitória. O marxismo ensinava “que tudo o que tem valor na vida já estava contido na humanidade”[2], mas o secularismo descontrolado foi rejeitado pelos cristãos. De forma perspicaz, Gramsci percebeu que as pessoas não lutariam pelo que de facto não acreditassem. Nos dias de Gramsci:

O único Estado marxista que existia era imposto e mantido pela força e por políticas terroristas que duplicaram e até excederam as piores facetas do fascismo de Mussolini.[3]

A construção do muro de Berlim foi a evidência mais visível das primeiras críticas de Gramsci ao marxismo tradicional. Muros tiveram que ser construídos para impedir que as pessoas escapassem do “paraíso do proletariado”.

Mudança de linguagem

Conquanto ainda comprometido com o marxismo e “totalmente convencido de que a dimensão material de todas as coisas no universo, incluindo a humanidade, era tudo o que existia”[4], Gramsci acreditava que a estrada para a “utopia” tomada pelos marxistas tradicionais estava pavimentada com obstáculos formidáveis. Gramsci começou a recriar o marxismo abandonando os slogans mais desagradáveis.

Não adiantaria fazer discursos retóricos sobre ‘revolução’, ‘ditadura dos proletariado’, e ‘paraíso dos trabalhadores’.[5]

Em vez disso, o marxismo teria de se reformular e falar sobre ‘consenso nacional’, ‘unidade nacional’ e ‘pacificação nacional’. O processo democrático, em lugar da revolução, deveria ser usado para alcançar as mudanças necessárias. No início, o pluralismo seria promovido e defendido. Depois, os marxistas deveriam unir-se a outros grupos oprimidos — mesmo que não partilhassem os ideais marxistas — para criar uma coligação unificada com poder de voto. Depois de construir a coligação “eles devem entrar em todas as actividades civis, culturais e políticas de todas as nações e, como o fermento faz com o pão, levedar todas elas com paciência e de forma completa.[6]

Para modificar a cultura, argumentava Gramsci:

Seria necessária uma ‘longa marcha através das instituições’ — as artes, o cinema, o teatro, as escolas, as faculdades, os seminários, os jornais, as revistas e o novo meio electrónico [da época], o rádio.[7]

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[1] Malachi Martin, The Keys of This Blood: The Struggle of World Dominion Between Pope John II, Mikhail Gorbachev and the Capitalist West. New York: Simon and Schuster, 1990, p. 245.
[2] Martin, The Keys of This Blood, p. 245.
[3] Martin, The Keys of This Blood, p. 248.
[4] Martin, The Keys of This Blood, p. 248.
[5] Martin, The Keys of This Blood, p. 249.
[6] Martin, The Keys of This Blood, p. 250.
[7] Patrick J. Buchanan, Death of the West: How Dying Populations and Immigrant Invasions Imperil Our Country and Civilization. New York: St. Martin’s Press/Thomas Dunne Books, 2001, p. 77.
Copiado do livro: Quem Controla a Escola Governa o Mundo, Gary DeMar, p. 26-28

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