Sofre de violência doméstica?

Diário As Beiras – Violência doméstica já matou 25 mulheres este ano

Sempre ouvi dizer que “não se bate numa mulher nem com uma flor”, mas fui vítima de violência doméstica por parte do homem que devia proteger-me e cuidar de mim.

Infelizmente – ao contrário da narrativa progressista – a violência doméstica não é uma questão de sexo.

Numa sociedade dominada pelo activismo feminista e pela vitimização da mulher, se um homem bater na sua mulher é julgado e condenado – em praça pública e nos tribunais – e ninguém o livra de alguns anos de prisão. Se for a mulher a agredir o marido, é aclamada, e se alegar que era vítima de violência doméstica, ainda que não o consiga provar, é ilibada.

Mas, a triste realidade é que homens e mulheres são alvo desse flagelo e, independentemente do sexo do agressor, devemos ter tolerância ZERO para com a violência doméstica.

Explosão da ira reprimida

Infelizmente, num lar onde há violência doméstica o confinamento pode ser um barril de pólvora e os efeitos pós-Covid19 – desemprego e falta de dinheiro – podem contribuir para uma explosão de casos.

Violência, exercida pelo homem ou pela mulher, é destrutiva. É um erro crasso acreditar que só porque as mulheres são mais pequenas e mais frágeis (na maior parte dos casos) causam menos dano físico e psicológico às suas vítimas. Perpetuar o mito de que as mulheres não abusam dos seus maridos e de que as que o fazem não são assim tão más e, portanto, o seu comportamento abusivo não é assim tão grave, é um erro terrível. Toda a violência doméstica é uma explosão da ira reprimida, que se esconde sob um verniz finíssimo.

David Powlinson, descreve-a assim:

«A ira de uma pessoa pode ser “reprimida”… As pessoas podem estar “perturbadas”, “cheias” de raiva, a ponto de “explodir”, prestes a “extravasar”. A ira antiga, não resolvida, pode ser “guardada” e “abrigada” por anos. Se a “tirar do seu peito” até que a sua raiva seja “consumida”, sentir-se-á melhor.»

Isso é verdadeiro para muitos homens e mulheres, que nunca lidaram muito bem com as suas emoções, e acabam por as despejar sobre os mais próximos como uma espécie de “libertação”. Mas, seja qual for a “desculpa”, é abuso e não é uma questão de sexo forte ou sexo frágil, e sim da maldade do coração humano. Quando o marido, ou a mulher, se torna objecto da ira, não importa o que o agressor alegue, a verdade é que ele não foi obrigado, pelo agredido, a agredi-lo. A culpa não é da vítima e ela deve apresentar queixa e não permitir que a violência se torne o pão nosso de cada dia.

Tratar a raiz do problema é essencial para quebrar o ciclo

No entanto, acredito que é preciso cuidar de ambos. Depois de separar a vítima do agressor – caso não haja possibilidade de parar as agressões – ambos precisam ser cuidados.

Eu sei que isto não é politicamente correcto, mas nem sempre o divórcio vai parar as agressões e a separação pode servir apenas para levar a vítima a um novo agressor e o agressor a uma nova vítima.

Por isso, é urgente perceber o que está na raiz da ira do agressor:

  • Ciúmes doentios? Falta de confiança no marido/esposa?
  • Uma luta de poder dentro do casamento?
  • Ressentimentos antigos?
  • Desemprego? Falta de dinheiro?
  • Passado de violência: o pai que batia na mãe, ou vice-versa?
  • Maus tratos infantis?
  • Alcoolismo? Toxico-dependência?

Embora as respostas não possam ser usadas como desculpa para ilibar o agressor, a verdade é que há inúmeras situações que podem nutrir a ira e que precisam ser tratadas. Procurar e tratar a raiz do problema é essencial para quebrar o ciclo.

Qual é a solução?

Fui vítima de violência doméstica durante cerca de 8 anos (dos 15 aos 23 anos); a única saída foi o divórcio. Hoje, como cristã verdadeiramente regenerada, posso dizer que sem um conhecimento de nós mesmos, do nosso próprio coração e do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, nunca acabaremos com a violência no lar.

Toda a ira – inclusive dentro da igreja – é fruto de um coração egoísta e egocêntrico, que se manifesta através do conflito e da raiva. Devemos encorajar os agressores a conhecerem a origem da sua frustração – que degenera em raiva e violência – e levá-los ao arrependimento, à confissão, e a buscar a ajuda de Deus. Só Ele, ao dar nova vida ao que creu e se arrependeu, quebra o ciclo.

Não estou a dizer que o caminho é fácil, que não perderemos muitas vezes, que não haverá mais divórcios e mais violência, mas sim a tentar despertar-nos para o facto de que agressores e vítimas precisam desesperadamente de Jesus Cristo e da vida abundante – cheia de graça e perdão – que só Ele pode dar a cada um de nós. Não é fácil aconselhar vítimas e agressores, mas precisamos fazê-lo com urgência.

Violência doméstica é caso de polícia.

E, por favor, não façamos com que um homem, que é vítima de violência doméstica, se sinta fraco e “menos homem” por ser abusado e maltratado pela mulher. Há abusos psicológicos muito mais violentos do que a violência física e há mulheres que são tão abusadoras e violentas como qualquer homem.

PS: Mulher, se o pastor da sua igreja lhe disser que é seu dever permanecer com um marido abusador, que a agride e maltrata, faça queixa à polícia, e procure um pastor que a aconselhe de acordo com a Palavra de Deus e não com conceitos machistas e anti-bíblicos.

Estimado leitor:

Se é vítima de violência doméstica, ou agressor, independentemente de ser cristão ou ateu, e precisa de ajuda, contacte-nos.

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