O que é ser pai?

O que é ser pai solteiro? 4 testemunhos dão-nos uma ideia

Enquanto pesquisava à procura de uma resposta, apaixonei-me pelo texto do Eduardo Sá. Claro que não esgota o tema e que ser pai é muito mais do que a descrição feita pelo Eduardo, mas creio que vale a pena partilhá-lo aqui:

Ser pai é fazer de super-homem

Ser pai é:

Num cantinho de nós, apetecer-nos chorar só porque um filho nos diz: “Pai!?… Gosto de ti!”

Fazer de super-homem mesmo quando se tem o coração todo engasgado e a voz nos tremelica e, mesmo assim, fazermos de conta que nada nos desperta receio nem nos encolhe sempre que espantamos o medo para bem longe de quem nos ama.


Ao brincar, atirarmo-nos para o chão, andarmos à luta, fazermos guerras de almofadas e, claro, ataques de cócegas! E escangalharmo-nos a rir e, depois, acabar o “vendaval” num abraço grande e apertado, que tira o ar, e fazer com que essa força deixe de ser nossa e fique, toda ela, guardada no coração dos nossos filhos.


Deitarmo-nos na relva a inventar histórias (que podem ser um bocadinho desengonçadas e, até, patetas!) e fazermos de intrujões, quando rugimos como um leão ou atacamos como um monstro, terrível e maldito. É divertirmo-nos, metendo sustos, e depois salvarmos das manhas dos arrepios quem nós assustámos, e sentirmo-nos mágicos outra vez.

Ser apanhador de nuvens e descobrir nelas formas um bocadinho misteriosas e escaganifobéticas, que mais ninguém, a não ser nós, consegue ver! E, depois, parecemos, apesar de tudo, tão crescidos que, sempre que nos esticamos, quase tocamos nelas. E sermos, de todas essas vezes, poderosos e gigantes ou uma espécie de arranha-céus. Simplesmente.


Ter sempre uma moeda guardada para um cavalo, daqueles que nos dão música e que trotam sem sair do lugar, ou para umas máquinas de bolas, com prendas, todas elas sem jeito, lá dentro. E de todos esses presentes, mesmo depois de sermos repreendidos, alimentarmo-nos com o olhar alegre e agradecido de um filho como se, por alguns momentos, fôssemos uma fada, um mágico ou por exemplo… “o pai”.

Num cantinho de nós, apetecer-nos chorar só porque um filho nos diz: “Pai!?… Gosto de ti!”. E, mesmo que o mundo pareça feito de injustiças e de pessoas zangadas e feias, nesse momento ser um bocadinho Natal. E que isso seja um segredo muito bem guardado. Quase só para nós.

Não sermos uns sobre-dotados para contarmos histórias, mas encantarmo-nos de cada vez que um filho reclama e quase nos garante que não passa sem elas.

Ao deitar um filho, adormecer quase sempre antes dele, deixando-nos estar, sentir a sua mão no nosso cabelo para saber se estamos ali e descobrir que, se isso não é o céu, não falta muito para estar perto.


Amuarmos devagarinho quando um filho nos diz: “Não sou teu amigo”, só porque não o deixámos fazer tudo e, sem percebermos a patetice de nos sentirmos destroçados por quase nada, lhe respondemos: “Também não gosto de ti!”.


Dar colo, levantar um filho ao ar, fazermos de conta que ele é um avião e, no final, sermos nós quem voa só por causa dele.

Amar, amar e amar sem intervalos nem férias e sermos tomados pelo medo que o céu desabe sobre a cabeça dos nossos filhos, se não estivermos por perto. E, por isso mesmo, não nos sentirmos autorizados nem a morrer nem a desistir e termos, na exacta medida daquilo que eles esperam de nós, a secreta certeza que, mesmo quando não estivermos, seremos pais. Sempre pais. Muito para lá de sempre.

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