Quem é que ainda não ouviu dizer que a família tradicional está acabada?

Famílias blindadas por Deus | Imagens de familia, Fotos de família ...

Confesso que o rótulo “tradicional” nem devia fazer parte da frase, pois “família” é o conceito natural que garante a continuidade da espécie e a vitalidade da própria sociedade.

Sim, eu entendo o que querem dizer. A família — homem + mulher = filhos — comprometida, perseverando unida, suportando-se uns aos outros, trabalhando para o bem estar comum, está quase extinta. A cultura contemporânea tem vindo a redefinir a família: a banalização do divórcio, o casamento gay, uma série de arranjos de vida promíscuos e a pressão pela aceitação da poligamia são agressões violentas à família.  

A noção de que os pais, cujo amor produz filhos, devem viver juntos no casamento e trabalhar em conjunto para prover o lar e a estabilidade dos seus filhos, tem vindo a desaparecer como ideal cultural. No entanto, não deixa de ser estranho que os mesmos que apontam para o casamento como uma instituição falida queiram contrair um “casamento” que viola claramente o conceito milenar e a essência do significado do matrimónio.

Família, são pessoas comuns que vivem naturalmente as condições comuns da vida e isso não se aplica apenas a famílias em que o pai e a mãe vivem juntos com os seus filhos. Há pais e mães solteiros/divorciados que cuidam dos seus lares e dos seus filhos, e muitos avós que criam amorosamente os seus netos para um dia terem a sua própria família e cuidarem dela e dos que cuidaram deles.

Eu separei-me do meu ex-marido aos 22 anos e trabalhei de dia e de noite para sustentar a casa e os meus dois filhos mais velhos, mas só o consegui com a ajuda do meu pai, da minha mãe e do meu tio — da minha família. Hoje, ambos são adultos e estão a investir nas suas próprias famílias e a acrescentar novos elementos à nossa família. Apesar dos meus filhos mais velhos terem presenciado cenas terríveis de violência doméstica e de o pai nunca ter contribuído com um cêntimo para o sustento deles, nunca os tentei voltar contra o pai e nunca lhes incuti que o homem não presta pra nada e que a mulher é toda-poderosa e vive muito bem sem o homem. Pelo contrário, sempre os orientei no sentido de não cometerem os erros que o pai e eu cometemos e investirem na família quando a tivessem. Creio que o meu pai, que sempre sustentou a casa e cuidou da minha mãe até ao dia da sua morte, foi um exemplo para eles quanto ao papel do homem como chefe de família, marido e pai.

Infelizmente, o machismo, o feminismo e até a religião, têm contribuído para a destruição dos valores e dos princípios sob os quais a família devia estar firmada.

Por exemplo, na visão cristã de família — na visão correcta — o marido é chamado a exercer liderança amorosa e a paternidade é uma metáfora para o ministério pastoral (só aquele que é bom marido e pai está biblicamente qualificado para exercer o ministério pastoral). O marido deve amar a esposa como a si mesmo, trabalhar arduamente para suprir as necessidades da família e nunca ser um fardo para ela. Do ponto de vista divino, a autoridade do marido não consiste em tornar a mulher sua serva, mas sim em entregar a sua própria vida por ela como sacrifício vivo e agradável a Deus.

A mulher, tão digna e capaz como o homem aos olhos de Deus, deve submeter-se — de livre e espontânea vontade — à liderança amorosa do marido, ajudando-o a ser um líder bem-sucedido.

Sim, eu sei que devido à nossa própria natureza e à contaminação do feminismo, não é nada fácil subordinar a nossa vida à liderança do outro, mas é a única forma de viver um casamento amoroso, saudável e gratificante, até que a morte nos separe, e é também a forma mais eficaz de ensinar aos filhos os diferentes papéis de homens e mulheres. Nenhum filho/filha respeitará o pai abusador nem a mãe que quer usurpar o lugar do pai, mas, infelizmente, a probabilidade de se tornar parecido com eles é enorme.

E os filhos? Qual é o papel dos filhos na família?

– Eles devem honrar e obedecer aos seus pais.

Pais cristãos, sábios, ensinar-lhes-ão o que significa SIM e NÃO, que a razão para lhes obedecerem é o facto de Deus ter dado essa autoridade aos pais e que a obediência deles não é apenas um capricho dos pais, mas sim a vontade de Deus para eles em qualquer idade.

Pais não-cristãos, sábios, talvez lhes ensinem que ao longo da vida terão que ouvir e saber lidar com NÃOS e SINS, obedecer a muitas regras e leis, e que se não forem ensinados a lidar com isso desde a mais tenra idade terão problemas gravíssimos.

Como cristã, fico maravilhada quando crianças e jovens abraçam a verdade de que os caminhos de Deus são bons. É uma alegria ver netos e netas, crianças e adolescentes comuns, que amam os seus pais e que aceitam a autoridade daqueles que os amam o suficiente para lhes impor limites.

Imagine esta cena:
Filho mais velho: «Mãe, posso tomar um café?»
— Claro, filho.
Filho mais novo: «Também posso tomar um café?»
— Não, meu filho. Não podes.
Filho mais novo: «Mas isso não é justo. Se ele pode, porque é que eu não posso?»
— Meu amor, não se trata de ser justo ou injusto, mas sim de ter sabedoria para saber o que é melhor para ti. O café faz-te mal.

Ele aceitou sem reclamar e não contestou a minha autoridade. Mas, ainda que o fizesse, eu não permitiria que ele tomasse café e, se fizesse birra, apanhava duas palmadas bem dadas. Oxalá que atitudes como esta sirvam para ele um dia agir da mesma maneira com os meus netos.

A vida familiar oferece-nos oportunidades maravilhosas de mostrar amor aos outros, pois é no seio da família que surgem inúmeros conflitos relacionais. Normalmente, procuramos fora de nós mesmos a razão para os conflitos: «tu fazes-me perder a cabeça», «tu é que és o culpado», mas, na verdade, esses conflitos vêm da nossa própria insatisfação, de paixões e desejos que guerreiam nos nossos corações, e são essa insatisfação, essas paixões e esses desejos que produzem os conflitos. O narcisismo é muito feio.

A vida familiar é o ambiente mais propício a oportunidades para aprender a prática do amor sacrificial pelo outro, é o melhor lugar para aprender a buscar os interesses do outro e a negar-nos a nós mesmos em prol daqueles que amamos. Se é fácil? Não, não é.

Hoje, de acordo com o pós-modernismo e os filmes de Hollywood, a maior parte das famílias cria os filhos para serem independentes e bem-sucedidos — narcisistas — e, talvez por falta de tempo, esquece-se de os ensinar a amar o próximo como a si mesmos, a serem bons maridos e pais e boas esposas e mães, independentemente de virem a casar ou não.

Eu sei que não há famílias perfeitas e que há famílias muito, muito complicadas; que há mulheres a serem vítimas de violência doméstica, por parte daqueles que as deviam amar como a si mesmos e cuidar elas, e vice-versa; que há pais violentos e abusadores e filhos a sofrer por causa disso; falta de respeito e de amor, falta de compromisso…

Mas, apesar disso, a família continua a ser o pilar de uma sociedade próspera e saudável. Longe de serem males terríveis, os conflitos familiares, quando são bem geridos e devidamente tratados, são parte vital de aprender a amar e a viver em família.

Se a sua família está em crise, se precisa de aconselhamento e de ajuda, procure-nos.

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