Disforia de Género nas Crianças – A disforia de género como um transtorno mental objectivo (6 – 1ª parte)

A psicologia tem rejeitado cada vez mais o conceito de normas para a saúde mental, concentrando-se, em vez disso, no sofrimento emocional.

A American Psychiatric Association (APA), por exemplo, explica na 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) que a DG está lá listada não devido à discrepância entre os pensamentos e a realidade física do indivíduo, mas devido à presença de sofrimento emocional que dificulta o funcionamento social. O DSM-5 também anota que é necessário um diagnóstico para que as companhias de seguro paguem as hormonas de sexo cruzado e a cirurgia de reatribuição sexual para aliviar o sofrimento emocional da DG. Uma vez aliviado o sofrimento, a DG não é mais considerada um transtorno [2].

Há problemas com este raciocínio. Considere os seguintes exemplos: uma menina com anorexia nervosa tem a crença errada e persistente de que é obesa; uma pessoa com transtorno dismórfico corporal nutre a convicção errada de que é feia; uma pessoa com transtorno de identidade da integridade corporal identifica-se como uma pessoa com deficiência e sente-se presa num corpo totalmente funcional. Indivíduos com transtorno de identidade da integridade corporal geralmente ficam tão angustiados com os seus corpos totalmente funcionais que procuram a amputação cirúrgica de membros saudáveis ​​ou a ruptura cirúrgica da medula espinhal [28].

A Dra. Anne Lawrence, que é transgénero, argumentou que o transtorno de identidade da integridade corporal tem muito paralelismo com a DG [29].

As falsas crenças mencionadas acima, como a DG, não são apenas emocionalmente angustiantes para os indivíduos, sendo também uma ameaça à vida. Em cada caso, a cirurgia para “afirmar” a falsa suposição (lipoaspiração para a anorexia, cirurgia estética para o transtorno dismórfico corporal, amputação ou paraplegia induzida cirurgicamente para o transtorno de identidade da integridade corporal, cirurgia de reatribuição de sexo para a DG) pode muito bem aliviar o sofrimento emocional do doente, mas não fará nada para abordar o problema psicológico subjacente e poderá resultar na morte do doente.

Completamente removida da realidade física, a arte da psicoterapia diminuirá à medida que o campo da psicologia se torna cada vez mais uma especialidade médica intervencionista, com resultados devastadores para os doentes.

Alternativamente, um padrão mínimo poderia ser procurado. A normalidade foi definida como “aquilo que funciona de acordo com o seu design [30]. Uma das principais funções do cérebro é perceber a realidade física. Pensamentos que estão de acordo com a realidade física são normais. Pensamentos que se desviam da realidade física são anormais – além de potencialmente prejudiciais para o indivíduo ou para os outros. Isto é verdade mesmo que o indivíduo com pensamentos anormais sinta ou não sofrimento.

A crença de que uma pessoa é algo ou alguém que não é, é na melhor das hipóteses, um sinal de pensamento confuso. Na pior das hipóteses, uma ilusão. Só porque uma pessoa pensa ou sente algo, não faz com que isso seja realidade. Isto seria verdade mesmo se os pensamentos anormais fossem biologicamente “conectados”.

[2] American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed; 2013:451-459.

[28]  Blom RM, Hennekam RC, Denys D. Body integrity identity disorder. PLoS One 2012;7(4).

[29] Lawrence A. Clinical and theoretical parallels between desire for limb amputation and gender identity disorder. Arch Sexual Behavior 2006;35:263-278.

[30] King CD. The meaning of normal. Yale J Biol Med 1945;18:493-501.

[1] Shechner T. Gender identity disorder: a literature review from a developmental perspective. Isr J Psychiatry Relat Sci 2010;47:132-138. [2] American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed; 2013:451-459.

[22] Zucker KJ, Bradley SJ. Gender Identity and Psychosexual Disorders. FOCUS 2005;3(4):598-617. [23] Zucker KJ, Bradley SJ, Ben-Dat DN, et al. Psychopathology in the parents of boys with gender identity disorder. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 2003;42:2-4.

[31] Cohen-Kettenis PT, Delemarre-van de Waal HA, Gooren LJ. The treatment of adolescent transsexuals: changing insights. J Sexual Med 2008;5:1892–1897.

Fonte: https://www.acpeds.org/the-college-speaks/position-statements/gender-dysphoria-in-children

Traduzido por: Sarah Pousinho

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