Disforia de Género nas crianças – A disforia de género como resultado de uma identidade sexuada interna inata (2)

O professor de trabalho social, Dr. William Brennan, escreveu que “o poder da linguagem colorir a nossa visão da realidade é profundo”[8]. É por esta razão que a engenharia linguística precede sempre a engenharia social, até mesmo na medicina. Muitos têm a crença equivocada de que género já significou sexo biológico. Embora os termos sejam frequentemente usados de modo intercambiável, nunca foram verdadeiramente sinónimos [9, 10]. As feministas do final dos anos 60 e da década de 70 usavam o termo “género” para se referir a um “sexo social”, que poderia diferir do “sexo biológico” da pessoa, de forma a superar a discriminação injusta das mulheres enraizada em estereótipos sexuais. Estas feministas foram em grande parte responsáveis por terem generalizado o uso da palavra “género” no lugar de “sexo”. Mais recentemente, numa tentativa de eliminar a heteronormatividade, os teóricos homossexuais expandiram “género” de modo a abranger mais de 50 categorias, fundindo o conceito de um sexo social com as atracções sexuais [9]. No entanto, nenhum destes reflecte o sentido original do termo.

Antes da década de 50, “género” significava masculino ou feminino, mas aplicado apenas à gramática e não a pessoas [9,10]. As línguas de origem latina classificam os substantivos e seus modificadores como masculinos ou femininos e, por essa razão, ainda são referidos como tendo um género. Isto mudou nas décadas de 50 e 60, quando os sexólogos perceberam que a sua agenda de reatribuição sexual não poderia ser suficientemente defendida usando os termos “sexo” e “transsexual”. De um ponto de vista puramente científico, os seres humanos possuem um sexo biologicamente determinado e diferenças sexuais inatas. Nenhum sexólogo poderia realmente alterar os genes de uma pessoa através de hormonas e cirurgia. A troca de sexo é objectivamente impossível. A solução deles (sexólogos) foi apropriar-se da palavra “género” e atribuir-lhe um novo significado que se aplicava às pessoas.

John Money, PhD, foi um dos mais destacados desses sexólogos que redefiniram género para que significasse “o desempenho social indicativo de uma identidade sexuada interna”[10]. Essencialmente, esses sexólogos inventaram o fundamento ideológico necessário para justificar o seu tratamento do transsexualismo com cirurgias de reatribuição sexual e chamaram a isso de género. É esta ideologia fabricada pelo homem de uma “identidade sexuada interna” que hoje domina a medicina, a psiquiatria e o meio académico. Esta história linguística deixa claro que o género não é e nunca foi uma entidade biológica ou científica. Pelo contrário, o género é um conceito social e politicamente construído.

No seu estudo “Overview of Gender Development and Gender Nonconformity in Children and Adolescents” (Visão geral do Desenvolvimento de Género e da Inconformidade de Género em Crianças e Adolescentes), Forcier e Olson-Kennedy rejeitam o modelo binário da sexualidade humana como “ideologia” e apresentam uma “perspectiva alternativa” da “identidade de género inata”, que se apresenta ao longo de um ”continuum de género”. Eles recomendam que os pediatras digam aos pais que o “género verdadeiro” da criança é aquele que ela sente que é, porque “o cérebro e o corpo da criança podem não estar na mesma página”[11].

A alegação de Forcier e Olson-Kennedy de uma discordância inata entre o cérebro e o restante corpo de uma criança deriva de imagens de difusão por ressonância magnética que demonstram que o aumento da testosterona em meninos na puberdade aumenta o volume de substância branca, bem como de estudos cerebrais de adultos que se identificam como transgéneros. Um estudo de Rametti e colegas descobriu que a microestrutura da substância branca dos cérebros de adultos transsexuais (mulher para homem), que ainda não tinham iniciado tratamento com testosterona, se assemelhava mais à de homens do que à de mulheres [12]. Outros estudos com imagens de difusão por ressonância magnética concluíram que a micro-estrutura da substância branca em ambos os tipos transsexuais (mulher para homem e homem para mulher) está a meio caminho entre a de mulheres e homens genéticos [13]. No entanto, estes e estudos mais recentes não provam a causa devido a diversas falhas no desenho dos estudos. Um estudo de diferença cerebral adequadamente desenhado precisa ser prospectivo e longitudinal; exigiria uma grande amostra populacional seleccionada aleatoriamente de um conjunto fixo de indivíduos, segui-los-ia com imagens cerebrais em série desde a infância até à idade adulta e teria que ser replicado. Até hoje, nenhum estudo sobre o cérebro preenche sequer um destes requisitos para ser considerado um estudo de investigação rigoroso. Mesmo se o fizessem, a causa não seria certa devido à neuro-plasticidade.

Referências Bibliográficas:

[8] Brennan, W. Dehumanizing the Vulnerable: When word games take lives. Chicago: Loyola University Press, 1995.

[9]  Kuby, G. The Global Sexual Revolution: Destruction of freedom in the name of freedom. Kettering, OH: Angelico Press, 2015.

[10] Jeffeys, S. Gender Hurts: A feminist analysis of the politics of transgendersim. NY: Routledge, 2014 (p. 27).

[11] Forcier M, Olson-Kennedy J. Overview of gender development and gender nonconformity in children and adolescents. UpToDate; 2016. Available at: www.uptodate.com/contents/overview-of-gender-development-and-clinical-presentation-of-gender-nonconformity-in-children-and-adolescents?source=search_result&search=Overview+of+gender+nonconformity+in+children&selectedTitle=2percent7E150. Accessed May 16, 2016.

[12] Rametti G, Carrillo B, Gomez-Gil E, et al. White matter microstructure in female to male transsexuals before cross-sex hormonal treatment. A diffusion tensor imaging study. J Psychiatr Res 2011;45:199-204.

[13]  Kranz GS, Hahn A, Kaufmann U, et al. White matter microstructure in transsexuals and controls investigated b diffusion tensor imaging. J Neurosci 2014;34(46):15466-15475.

Fonte: https://www.acpeds.org/the-college-speaks/position-statements/gender-dysphoria-in-children

Traduzido por: Sarah Pousinho

Deixe uma resposta